terça-feira, 31 de julho de 2007

RETORNANDO AO LAR

Foi em 1987 que renasci para o Senhor, numa igreja Presbiteriana da cidade de Jandira, simples e aconchegante, mas repleta de amor por parte de seus membros. Fui bem recebido por todos e logo tornei-me amigo e companheiro de caminhada de muitos deles.Eu sabia que ser cristão não era uma coisa fácil. Havia as lutas da renuncia. Muitas das coisas que eu praticava nos meus tempos mundanos eu ainda os carregava comigo. Abandonava aos poucos aquelas práticas, fruto das orações dos queridos irmãos.Estudava com eles na escola bíblica dominical, não perdia uma aula sequer, nem mesmo estando doente, era junto deles que eu gostava de estar, pois com eles eu melhorava meu relacionamento em relação aos de fora. Fui muito ajudado, fui muito amado, fui muito disciplinado, e feliz ficava quando aprendia cada vez mais com esses queridos irmãos.Aprendi muita coisa sobre o evangelho de Cristo, sobre os pseudo-evangelhos, sobre os falsos evangelhos e sobre muitas seitas na escola dominical. Esta era uma verdadeira escola para mim. Pena que ninguém de fora dava o seu devido valor, já que era ali que verdadeiramente aprendíamos a ser pessoas honestas e sinceras perante a sociedade.Infelizmente, para tudo o que é bom tem um ponto final. Houve problemas internos naquela igreja, e o pastor titular, que era um verdadeiro pai para mim, foi afastado. Houve muitos comentários maldosos, mas eu preferia ficar ao lado daquele que me disciplinava com amor nunca visto em minha vida. Para mim ele era inocente até prova em contrário, só que esta prova em contrário nunca veio à tona. Mesmo assim, eu o perdi.Surgiu um novo pastor, moderninho, achei que as coisas iriam mudar. E mudaram. Acabou-se a escola dominical sob o argumento de que era coisa antiquada e cafona. Onde não se aprendia nada de concreto. E que todos nós deveríamos estudar em seminário para sermos líderes, ou coisas semelhantes. Continuei na igreja, mas muitos dos queridos irmãos da igreja original se foram, se retiraram por não se adaptarem ao modernismo. Mas eu fui enfeitiçado pelo novo evangelho que era pregado pelo novo pastor. Mudou-se o nome. Adotou-se a denominação de Comunidade Tal*, sob o argumento de que precisamos abandonar o tradicionalismo para nos aproximarmos cada vez mais de Deus. Maravilhei-me com isso.Outras coisas vieram acontecer. Mas eu fui aos poucos percebendo a enrascada em que me meti. O orgulho do novo pastor o fazia ficar bem maior do que a mensagem pregada. Começaram a adotar as danças, lançar CD ao vivo a exemplo que as outras igrejas modernas faziam. Muitos hinos que amava cantar na Presbiteriana foram esquecidos, abandonados, dando lugar a músicas que enalteciam o ego. Outras coisas bem estranhas foram surgindo, conheci o “sabonete de glicerina abençoado”, as “campanhas dos desempregados”, “campanhas dos milagres”, e tantas outras coisas que era obrigado a participar. O pior aconteceu. O pastor agora não admitia mais ser chamado de “pastor”, mas sim, “bispo”. Senti-me enojado. O termo pastor também se tornou ultrapassado para ele, e todos obedeciam temerosos de que Deus faria alguma coisa ruim lhes acontecer.Percebi que, se continuasse ali, eu também estaria me afundando junto deles para a vergonha eterna. Já estava me sentindo longe das verdades da Bíblia. Longe do verdadeiro evangelho que amava ouvir e ler. Procurei voltar para a igreja original, mas não obtive sucesso. Ela não existia mais. Não estava mais se reunindo no mesmo local.Nesse tempo, passei a freqüentar outra Comunidade a convite dos amigos da faculdade. Ficava em Carapicuíba, um pouco distante de casa. Era boa, os hinos me faziam lembrar a Presbiteriana, mas logo decaiu para o modernismo e eu não agüentei. Era forçado a ouvir gritos histéricos de jovens que nem tinham compromisso com Deus, mas que gostavam mais de se divertir, de liderar, do que servir. Senti saudades da escola bíblica dominical, pois nessas igrejas privilegiavam-se mais o lucro do que o ensino. Teria que pagar para estudar e me formar “um líder”. Mas eu não fui chamado por Deus para ser líder nenhum, mas sim, para ser um servo obediente e fiel, e nem todos também tem esse chamado. Mas se você não é líder, não serve para essas igrejas.Casei-me. Eu e minha esposa ficamos fora da igreja por não encontrarmos uma que pelo menos não nos forçasse a fazer coisas além do que podemos fazer. Nossa fé é simples, e preferimos assim. Sacrificamos o que podemos e ajudamos aos outros dentro de nossas possibilidades. Mesmo assim, não deixamos de buscar ao Senhor.E nessa busca ao Senhor, ele nos atendeu. Mostrou-nos a igreja do Nazareno perto do meu local de trabalho que freqüentamos por um bom tempo até que o próprio Senhor, por meio de um querido irmão que trabalha também no mesmo local que eu, nos levou para a Igreja Presbiteriana Independente de Quitaúna, onde nos alegramos por voltar a ouvir a verdadeira palavra de Deus sem acréscimo algum. Voltamos a ter aquela fé de criança que ama seu Pai pelo que Ele é, e não pelo que ele pode nos dar.Deus é maravilhoso. Ele nos faz passar por vales e montes, por amor de nós, para nos ensinar que devemos depender totalmente dEle, e não de homem algum.Quero dedicar este crônica ao amado pastor Elizier Trindade, que foi o meu pai espiritual na Igreja Presbiteriana de Jandira, e aos amados irmãos de lá, dos quais sinto grandes saudades.

Fernando Paulo Ferreira, casado com Fernanda de Abreu Ferreira, freqüentam a Igreja Presbiteriana Independente de Quitaúna, em Osasco/SP. São escritores e editores do site www.asemaninha.org. * - Nome omitido por questões de privacidade (N. E.)

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